2022/09/30

Queixume XXXI : Terra

 

Terra


Parcimoniosas augas
e devagar das bágoas;
transparentes miradas
e brilhantes lamentos
que há sorver a Terra,
coma senhora e dona
do que sobre ela habita.

🌟



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2022/09/28

Queixume XXX : Veleno


 
Veleno


Picada de víbora
sinto no peito,
mala rabia me come,
quantíssima dor !.
Um veleno de áspide
a minha alma devora.

🌟



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2022/09/24

Queixume XXIX : Rejeitado

 

Rejeitado


Nem com desprezo rejeitado,
afundirei-me desvalido.
As minhas forças vam ocultas
e meu ánimo sempre inteiro.

🌟



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2022/09/20

Queixume XXVIII : Verbas negras

 

Verbas negras


Dessa dor tam amarga
que arrastras polo mundo,
tam azeda i escura,
saem as tuas verbas negras.

Tam pretas e geadas
como o mais cru inverno,
congelam-nos o corpo,
pelando os ossos todos.

Coitelo hostil e afiado
com pedra feitizada
por um rabudo demo
de roja encarnadura.

Quem as lea quedará
sem dúbida adoecido,
se querendo ou sem querer
dá enviado essas palavras.

Mensagens que escreviches
com letras com espinhos;
verbas negras com tinta
sanguenta de difunto.

🌟



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2022/09/13

Queixume XXVII : Derradeiro bafejo

 

Derradeiro bafejo


Tenho o meu sangue tam seco
como a seiva duma ponla
na mais desértica area
e meus ossos consumidos.

Mas irei turrando de vós,
entranto que tenha vida;
turrarei de vós ainda
no derradeiro bafejo.

🌟



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2022/09/12

Queixume XXVI : Cadeas

 

Cadeas


Quigera colher as tuas mans
de feitura transparentes,
apertar a tua alegria
e sentar-me nas tuas cores.

Respirar os teus tremores,
e vibrar coas tuas vozes,
deitadinho no teu berce,
caminhar pola tua vida.

Bafejar os teus aromas
e romper minhas cadeas,
voando por fim sem elas
deitadinho no teu corpo.

🌟



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