2023/01/26

Queixume XLIX : Maldade

 

Maldade
*

Co lume da maldade
coce o demo seu veleno
e intenta que o enviemos
a golpes de promessas
e falsas esperanças;
queimando-nos a gorja
quando menos esperamos.




Moradelha editora




2023/01/25

Queixume XLVIII : Pobreza

 

Pobreza
*

Morto coa fame
e sem nada de comer.
Cheio de cartos
e sem auga pra beber.

Morrendo de sede
diante duma fonte,
que nom pinga nim fecha,
que secou coa avareça.




Moradelha editora




2023/01/23

Queixume XLVII : Dor da alma

 

Dor da alma
*

Levo cravado no peito
um outeiro de carqueixas,
uma tojeira no médio
e duas herdades de milho.

E doe, doe tanta miséria
e doe tanto sofremento.
Doe, a alma penando,
espujada no lameiro.




Moradelha editora




2023/01/18

Queixume XLVI : Maldiçom

 

Maldiçom
*

Persegue-me a maldiçom,
nom tenho escapatória.
Vou colhendo-a como vem,
convivindo com ela.


Moradelha editora

2023/01/09

Queixume XLV : Ter ou nom ter

 

Ter ou nom ter
*

Hoje atopei à vergonça
i ela era como uma estátua.
Dipois vim-lhe a cara ao medo
i era um corvo num canastro.

E seica o medo nom sabe 
que as águias nom comem milho.
Gente que nom tem fartura,
sempre com fame de cartos.

Fum visitar à avareça
e confinou-me na casa,
para que eu nom perdera
todo o meu ouro ganhado.

Entom morria coa fame,
mas eu moi cheio de cartos.
E sentim muita vergonça,
quedei pra sempre parmado.

I espertei-me com medo
ao pensar que me roubaram,
até que entom acordei-me
que eu ter, nom tenho nada.




Moradelha editora