Queixumes
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Migas de verbas
Planeta do rio Sar
2022/10/29
Queixume XXXVI : Língua afiada
Língua afiada
*
Tem uma língua afiada
polos maltratos passados;
está sempre à defensiva.
E queima-me o coraçom
coa mirada tam fria,
marea-me seu desprezo.
Crava-me uns alfinetes
nas meninhas dos olhos
coas palavras que escreve.
🌟
Moradelha editora
2022/10/27
Queixume XXXV : Pesado pesadelo
Pesado pesadelo
*
Erguim-me co corpo chumbeiro,
nos pés a gravidade do Sol,
e sequer dava dado um passo
trás o pesado pesadelo.
Mas nossas vidas continuam,
seguimos caminhando sem remédio,
co mochilom iste cargado ao lombo,
bem calcado nas minhas costas.
Seguirei loitando de novo à manhá
com iste corpo pesado de chumbo,
com todas minhas esperanças postas
em que todo se volva muito liviám.
🌟
Moradelha editora
2022/10/15
Queixume XXXIV : Abonda pouco
Abonda pouco
*
Abonda com bem pouco
pra cair deprimido
quando tés altíssima
a sensibilidade.
Abonda com bem pouco
pra sentir alegria,
se a sensibilidade
té-la na flor da pele.
E com pouco abonda-lhe
a quem nada che quere
e abonda-lhe bem pouco
a quem nada precisa.
Nom há cousa que chegue
pra quem todo o quere.
Sempre tenho de abondo
pra quem nom quere nada.
Douche todo o que tenho
e ti sigues espido.
Para ir bem vestido,
primeiro tés que espir-te.
🌟
Moradelha editora
2022/10/05
Queixume XXXIII : Guerra !
Guerra !
*
Temos um Mundo de amor regalado
e sem embargo, guerra !.
Temos luz.
Temos mel.
Temos miradas
e sem embargo, guerra !.
Temos bicos e amenceres
e noites cheias de estrelas,
sorrisos celestiais,
auga fresca nas fontes
e sem embargo, guerra !
e fame e miséria,
miséria humana.
🌟
Moradelha editora
2022/10/03
Queixume XXXII : Lume
Lume
*
É minha soidade
um lume acendido,
que nom quenta a ninguém.
Estou abeirado a el,
tenho muito frio;
frio no peito, na res.
Estou arripiado,
compre-me uma manta
pra quentar mans e pés.
🌟
Moradelha editora
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