Aninovo 22.6
*
Já deixo atrás de mim
perpétuo siléncio,
a insónia da noite,
as unhas gardunhas
na pel da lascivia.
O vermelho carmim
das noites sem roupa,
muitos dias sem Sol,
recordos de nada,
palabras com ninguém.
Queda-me na bulsa
um feixe de cartos
i estou numha estaçom,
sem sitio para onde ir.
Atrás quedarom-me
uns sonhos perdidos,
nas flores dos anos,
com culto ao proibido.
Queimo iste ano velho
i espero um convoio,
sentado em porrancho
no médio do inverno.
🌟
Moradelha editora