Ter ou nom ter
*
Hoje atopei à vergonça
i ela era como uma estátua.
Dipois vim-lhe a cara ao medo
i era um corvo num canastro.
E seica o medo nom sabe
que as águias nom comem milho.
Gente que nom tem fartura,
sempre com fame de cartos.
Fum visitar à avareça
e confinou-me na casa,
para que eu nom perdera
todo o meu ouro ganhado.
Entom morria coa fame,
mas eu moi cheio de cartos.
E sentim muita vergonça,
quedei pra sempre parmado.
I espertei-me com medo
ao pensar que me roubaram,
até que entom acordei-me
que eu ter, nom tenho nada.
☆
Moradelha editora