Tragos de vinagre
*
Seica traguei um fume negro
e sinto-me moi abafado.
Forom as palabras que escuitei,
melhor nom haver escuitado.
Arroiou-me a locomotora,
que tam sequer ouvim-na passar.
O Mundo parar-se nom pode,
e volverá-se a recuperar.
Eu preciso espujar-me um pouco,
superar gratuita maldade,
estarricar o corpo e alma,
dipois deste amargoso trago.
E voltarei ao meu recuncho,
onde todo e serenidade,
durmirei baixo das estrelas,
esperando que haja um milagre.
Pensei que era um bom vinho doce
e manguei del a jeito um trago.
A mala hora foi que o bebim,
vinho nom era, era vinagre.
🌟
Moradelha editora